19.6.08
8.2.06
O Controle Como Dispositivo
Como descobrir e processar em um tempo finito onde está a informação q vc precisa num universo de informação "infinita"? No Idea - grupo de pesquisa da ECO/UFRJ - em 1998 o Paulo Vaz percebeu que o problema da informação ilimitada e inumerável era a geração desta distância cognitiva. Os motores de busca e a tecnologia dos agentes foram as respostas encontradas na Internet pra esse problema, gerando as empresas do virtual: empresas que descobrem, qualificam e promovem o enriquecimento de um universo qualquer de informação e conhecimento (Amazon, Ebay, Google, etc). O CiberIdea foi criado com o projeto que explorava as consequências da distância cognitiva na Comunicação.
Nas máquinas vivas de carbono o modo de selecionar são os canais de percepção e o sistema sensório-motor que liga o percebido a uma reação motora. O desenvolvimento da inteligência sobrecodificou esse sistema com sistemas semióticos que relacionam uma grande diversidade perceptiva aos conceitos, gerando o sistema simbólico como suporte do entendimento.
Supondo que o meio é a mensagem estamos nos convertendo em agentes para lidar com o universo cognitivo que estamos produzindo. A melhor das hipóteses, partindo desse pressuposto, supõem que somos ativos em um sistema estúpido que se deixa customizar. Na pior das hipóteses o sistema é inteligente e somos apenas terminais estúpidos, consumindo a informação que nos é destinada e reagindo a ela como programado - relógios processados por un relojoeiro cego. O controle como dispositivo de poder é a reunião da primeira e da segunda hipótese.
O dispositivo do controle
O contrôle operaria a partir da distância cognitiva. Como positividade ele vale pelo que produz. Ele constitui um sistema que permite 2 tipos de operações: você se constitui controlando as variáveis do sistema (sistema estúpido + usuário inteligente) ou o sistema controla todas as variáveis e te constitui como ele bem entende (sistema inteligente + usuário estúpido).
De fato isto não é uma alternativa mas uma oscilação permanente. O dilema próprio ao contrôle. Para poder controlar bem algo eu preciso descontrolar (se diz desregulamentar ou desregularizar) outro algo. E eu sofro o efeito da desregulamentação/descontrole.
Por isso o vício esta no cerne da compreensão do fenômeno, substituindo a velha noção de necessidade. Toda necessidade é vista como um vício, ou seja um problema de controle do sistema. Se o sistema usa o vício pra controlar, no modêlo sistema inteligente e terminal estúpido, o vício total implica descontrôle - o viciado se torna incontrolável. O que não quer dizer libertação do viciado, mas problema para o sistema que encontra um limite para a utilização de seus recursos. Burroughs é muito claro a esse respeito no Almoço Nú e continua sendo uma das melhores fontes para entender a montagem do dispositivo.
Ele permite repensar o modelo dos negócios pelo mercado da droga. A droga como mercadoria ideal, o vício como modelo ideal de comércio. Só para exemplificar Bill Gates viciou todo mundo em DOS e depois sintetizou a droga como Windows - o Windows como droga pesada, que nem a heroína. A primeira dose é sempre grátis...
Publicado por
antoun
às
20:54
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