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8.2.06

O Controle Como Dispositivo

Como descobrir e processar em um tempo finito onde está a informação q vc precisa num universo de informação "infinita"? No Idea - grupo de pesquisa da ECO/UFRJ - em 1998 o Paulo Vaz percebeu que o problema da informação ilimitada e inumerável era a geração desta distância cognitiva. Os motores de busca e a tecnologia dos agentes foram as respostas encontradas na Internet pra esse problema, gerando as empresas do virtual: empresas que descobrem, qualificam e promovem o enriquecimento de um universo qualquer de informação e conhecimento (Amazon, Ebay, Google, etc). O CiberIdea foi criado com o projeto que explorava as consequências da distância cognitiva na Comunicação.

Nas máquinas vivas de carbono o modo de selecionar são os canais de percepção e o sistema sensório-motor que liga o percebido a uma reação motora. O desenvolvimento da inteligência sobrecodificou esse sistema com sistemas semióticos que relacionam uma grande diversidade perceptiva aos conceitos, gerando o sistema simbólico como suporte do entendimento.

Supondo que o meio é a mensagem estamos nos convertendo em agentes para lidar com o universo cognitivo que estamos produzindo. A melhor das hipóteses, partindo desse pressuposto, supõem que somos ativos em um sistema estúpido que se deixa customizar. Na pior das hipóteses o sistema é inteligente e somos apenas terminais estúpidos, consumindo a informação que nos é destinada e reagindo a ela como programado - relógios processados por un relojoeiro cego. O controle como dispositivo de poder é a reunião da primeira e da segunda hipótese.

O dispositivo do controle

O contrôle operaria a partir da distância cognitiva. Como positividade ele vale pelo que produz. Ele constitui um sistema que permite 2 tipos de operações: você se constitui controlando as variáveis do sistema (sistema estúpido + usuário inteligente) ou o sistema controla todas as variáveis e te constitui como ele bem entende (sistema inteligente + usuário estúpido).

De fato isto não é uma alternativa mas uma oscilação permanente. O dilema próprio ao contrôle. Para poder controlar bem algo eu preciso descontrolar (se diz desregulamentar ou desregularizar) outro algo. E eu sofro o efeito da desregulamentação/descontrole.

Por isso o vício esta no cerne da compreensão do fenômeno, substituindo a velha noção de necessidade. Toda necessidade é vista como um vício, ou seja um problema de controle do sistema. Se o sistema usa o vício pra controlar, no modêlo sistema inteligente e terminal estúpido, o vício total implica descontrôle - o viciado se torna incontrolável. O que não quer dizer libertação do viciado, mas problema para o sistema que encontra um limite para a utilização de seus recursos. Burroughs é muito claro a esse respeito no Almoço Nú e continua sendo uma das melhores fontes para entender a montagem do dispositivo.

Ele permite repensar o modelo dos negócios pelo mercado da droga. A droga como mercadoria ideal, o vício como modelo ideal de comércio. Só para exemplificar Bill Gates viciou todo mundo em DOS e depois sintetizou a droga como Windows - o Windows como droga pesada, que nem a heroína. A primeira dose é sempre grátis...

Um comentário:

Leandro Siqueira disse...

antoun,

o que seria das nossas vidas se não fossem os links? procurei pelo Almoço Nú e acabei caindo no seu blog, que por sinal é excelente. parabéns! faço mestrado na PUC-SP nas Ciências Sociais e fiquei muito interessado por esse trabalho do professor Paulo Vaz mencionado por vc sobre a distância congnitiva na comunicação. Com mais um clik cheguei na página do Paulo Vaz e vi a quantidade de artigos igualmente interessantes, mas no entanto não encontrei nenhum trabalho de 1998. Em qual artigo ou livro dele posso encontrar sobre esse tema que vc abordou no post "O controle como dispositivo" de 8.2.06?
Obrigado pela atenção! Aguardo sua resposta, pois me será muito útil em minha pesquisa. Meu e-mail é o compulsione@gmail.com