21.10.07
22.5.07
Seminário Blogs da FEEVALE
Virei mascate cultural. Tô indo de manhã pra FEEVALE de Nova Hamburgo para participar do Seminário Blogs: Redes Sociais e Comunicação Digital. Existe um Blog feito pra noticiar o evento. Depois eu conto mais. Mas quarta tô de novo em Vitória na barca Nômade!
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Antoun
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3.5.07
Guerra do Código Incendeia a Web

Uma seqüência hexadecimal está criando o maior rebuliço na web e no mundo da mídia de massa: 09 F9 11 02 9D 74 E3 5B D8 41 56 C5 63 56 88 C0. Por causa dela mundos e fundos estão sendo levantados para impedir, em vão, sua publicidade. Trata-se da chave criptográfica que quebra o sistema AACS (Advanced Access Content System) dos HD-DVD e do Blu-Ray com filmes e jogos com imagem de alta definição. Com eles vc pode ver os mais recentes títulos em qualquer mídia, pois eles são a chave que abre a porta artificialmente trancada.
Quando o hacker canadense Muslix64 criou o patch do Blu-Ray - no final de 2006 - era apenas a quebra do código de um disco. Mas trabalhando com a turma do Doom9 - eu amo esses caras - criou um gerador de chaves que funciona tanto no HD-DVD, quanto no Blu-Ray. E a divulgação da chave se alastra como um virus pela web desde que os blogs se viram compelido pelo AACS a tirar a informação do ar pq estavam divulgando a chave. Como no caso da chave do DVD - a famigerada CSS - a reação da indústria de massa provocou uma insurreição na rede. Desenhos, fotos, camisetas, música e o q mais vc puder imaginar estão sendo utilizados para divulgar essa chave mestra criptográfica que abre qualquer porta. A música feita por Keith Burgon cantando o código com sua guitarra acústica, conhecida como Oh Nine, Eff Nine, já é um hit no YouTube com dezenas de milhares de audições.
As indústrias de massa continuam tão estúpidas quanto antes. Como os imperadores antes de sua decapitação, são incapazes de aprender qualquer coisa. E Lehman, o pai de toda essa excrescência, parece ser a única pessoa sensata quando disse que o DMCA estva morto no Digital Dystopia da McGill.
O fato das empresas empalidecerem, mandando seus gerentes apagar o código à força dos blogs e dos sítios onde são publicados gerou uma outra insurreição. Pois quanto mais se apagava o código, mais ele se multiplicava; como uma espécie ameaçada de extinção. Com sua divulgação aqueles discos Blu-Ray e HD-DVD estão desprotegidos. A criptografia da indústria de massa sempre será falha e porca, porque seus segredos tornaram-se de polichinelo na era da multidão.
Um efeito colateral curioso foi a revolta do Digg. Rede social de notícias, o site ameaçado de processo pela AACS, começou a apagar as publicações do código. Mas no Digg as pessoas publicam, votam e definem o que é importante para ir à página principal. Os usuários se auto-regulam e intervenções externas acabam causando coisas estranhas, facilmente percebidas pela comunidade. Os usuários reagiram ao apagamento sistemático e inventaram uma "bomba" que fazia com que qualquer matéria da primeira página remetesse ao código proibido. Ao final do dia o fundador do sítio, Kevin Rose, reconsiderou a insanidade da exigência e publicou o código no próprio blog da direção do Digg, liberando a publicação dele no sítio, junto com uma declaração de que aquela comunidade havia decidido que preferia ver o Digg cair lutando (contra a lei) do que vêlo dobrando-se frente a uma companhia maior. Ele termina dizendo: Se perdermos, que diabos, pelo menos morremos tentando. O fato é que o processo contra uma rede como o Digg facilmente pode se tornar um tiro que sai pela culatra contra a AACS e demais leis assemelhadas. Sendo um sítio governado e mantido por gente de mídia, uma campanha por fundos para o processo e de mobilização contra as indústrias pode ser o rastilho de uma incontrolável explosão, como lembra o Mashable.
Seja como for, a coisa ficou preta para o CEO Jay Adelson. Ontem apareceu no Digg um artigo criticando-o. O artigo vem do blog Valleywag. Nele o blogueiro Nick Douglas critica o CEO do Digg, acusando-o de mentiroso e comprometido, por causa das entrevistas que esta dando desde que o evento pegou fogo. Nick mostra que o setor de Relações Públicas da empresa esta indicando Adelson para falar em nome da Companhia, mesmo que vc implore por Kevin. A escolha de Adelson para falar, ao invés de Kevin, marca uma decisão dos PR da firma por prudência. E o CEO, de olho nos bilhões que pode perder, tenta minimizar o incidente e apagar as chamas da revolta. Ele deu declarações para o New York Times, o Fortune, o Business Week e a Wired. Mas Adelson foi o escroto que anunciou o apagamento das mensagens com os códigos, para acatar o pedido do AACS, em uma nota onde não só afirmava a decisão de continuar fazendo isso, como parecia concordar com a justiça do pedido. Aí o fundador da empresa, Kevin, publicou ele próprio o código no blog da empresa, obrigando Adelson a recuar. Tudo indica que a PR achou mais prudente botar o Adelson pra falar, tentando evitar o processo. Mas os usuários do Digg querem a cabeça do bundão e escolheram Nick para ser seu porta voz. O Valleywag tem sua própria versão de todo o incidente e ela é bastante cáustica.
Já há quem compare toda essa movimentação com a carta impressa de Lutero pregada na porta da Igreja, que desencadeou a Reforma. Ela marcou a entrada em cena do poder da imprensa na sociedade e o poder da consciência individual na formação da massa. Poder este que gerou a mídia de massa e os formadores de opinião. A guerra do código que quebra a criptografia do HD-DVD e do Blu-Ray marca a afirmação dos que se envolvem com as práticas das mídias digitas como cidadãos digitais, e não mais consumidores.
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Antoun
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9.4.07
A Garotada Pertuba a Mídia no Orkut
Saiu a matéria do JB sobre a garotada que usa o Orkut. A Juliana da Rocha me ligou e pediu pra que eu respondesse umas perguntas q me mandou por e-mail. Usou um pouquinho na matéria. Vou publicar tudo aqui. É o mínimo q eu posso fazer pela garotada que começa a enfrentar a caretice familiar alavancada pelo cinismo da mídia de massa nestas plagas.
1) O que leva adolescentes a revelarem detalhes algumas vezes vexatórios - como excessos com bebida, drogas e sexo - no Orkut?
Acho que a sensação de que aquilo vai ficar restrito ao circulo dos amigos, ou porque, sendo altamente oscilantes em sua afetividade e em sua química geral, de repente acham o máximo exibir algo sem ter uma noção muito clara das conseqüências. Acho também que os adolescentes atuais mudaram um bocado com relação aos adolescentes antigos e a história de cada um não é muito importante, a impressão que dá é a de que o perfil pode ser apagado e daqui a pouco ninguém mais vai se lembrar.
2) Como avalia essa prática de exposição na rede social? Como o revelar desses detalhes ajuda especialmente adolescentes a construir sua identidade?
Acho que estas exibições funcionam mais como experiências na esfera da audiência e teste na opinião de um público. Você sempre pode alterar seu perfil, ou criar outro perfil ou eliminar um perfil mal sucedido. Por outro lado, a rede social como o blog funciona como falar dos problemas com o motorista de taxi. A maioria não espera que ninguém além de um pequeno circulo de amigos vai dar atenção ao que esta sendo mostrado. O problema é a mídia focar aquilo e dar uma grande publicidade. Blog e rede social é um tipo diferente de conhecimento e informação. É o que o filósofo Espinosa chamava de conhecimento do terceiro gênero; um conhecimento intuitivo e afetivo onde você fala de seu mundo próprio e de sua afetividade. Esse tipo de conhecimento se transforma completamente quando transferido para a mídia de massa onde ele vai ganhar a face do preconceito e do julgamento moral.
3) Qual novidade o Orkut acrescentou ao processo? Como essa afirmação mudou antes e depois do Orkut?
Quando você conversava com uma turminha na adolescência em uma esquina qualquer a maior parte destas confidências podiam ficar resguardadas na memória destes amigos e mais tarde na certeza de seu esquecimento. O orkut possibilita a transformação deste material em notícia, levando os 15 minutos de fama para a vida deste adolescente. Por outro lado mostra pela diversidade de perfis e de grupos que cada um desenvolve esse desprezo pela história pessoal e pela identidade única. Os perfis valem pelo show que dão e são facilmente elimináveis pelo esquecimento.
4) Quais os benefícios que a rede social Orkut trouxe para essa construção de identidade, para a narrativa sobre si mesmo?
Acho que ela permite variar e diversificar os grupos, garantindo um relativo anonimato nessa imensa variedade de perfis e grupos. Esse si mesmo se narra diferentemente na vizinhança dos diferentes grupos em que o pertencimento é buscado e nas ações que os perfis desenvolvem. Uma das coisas que chamam a atenção é o gosto pelo apagamento dos perfis. O perfil se orkuticida e depois de algum tempo volta construindo novos grupos e novos nexos. Este si mesmo parece se narrar em função de coletivos que freqüenta e eventos que promove ou participa.
5) E quais os problemas?
Vários. Tem, por exemplo, o caso do jovem Brandon. Ele tinha um perfil chamado Ripper que freqüentava uma sala de chat com outros perfis jovens e ficavam competindo sobre drogas farmacêuticas ou não que consumiam. Um dia o Ripper resolveu barbarizar e ligou um canal de webcam onde nu e com a mesa abarrotada de drogas de todo tipo resolveu se exibir para o coletivo. Detonou todas e lá pras tantas mandou: Eu disse que eu sou barra pesada! Minutos depois ele morria. Se um jovem deste fosse das antigas, a zorra dele e dos amigos no quarto teria impedido isto de ir tão longe; e mesmo que fosse os amigos iam poder chamar uma ambulância. Mas a farra no coletivo virtual deixou todo mundo de mãos atadas sem saber o que fazer. Ninguém sabia de verdade quem era Ripper, qual seu telefone ou endereço. Por outro lado hoje ninguém fica marcado por coisas que faz. Não há mais o exame que constrói um histórico para dizer quem você é em função dos resultados. Há maior plasticidade pois o registro se preocupa em recolher os padrões das decisões e ações para adivinhar como um perfil vai agir numa situação dada qualquer.
6) Há diferenças entre o que é revelado e onde é revelado? Como se concilia a pressão e o desejo por ser descolado e passar essa imagem a uma rede de possíveis (futuros) conhecidos com a cobrança dos amigos pela discrição ou pela sinceridade no preenchimento do formulário do Orkut?
Não acho que seja tão dramático. Adolescente sempre mentiu muito, fantasiou muito e os grupos adolescentes lidam bem com isso. Mesmo a exposição na mídia de massa pode ser algo relativamente indolor. Pode tanto ser o trampolim para uma carreira artística quanto uma experiência que acrescenta algo que o perfil pode usar. O fato é que a sinceridade parece ser de ocasião; seja porque o adolescente esta num grupo puramente virtual protegido por um anonimato - como a turma que ia para os postos de gasolina, entravam em carros desconhecidos e iam para festas ficar com um monte de gente; coisa que não faziam no circulo das amizades escolares ou familiares -; seja porque o grupo pequeno e restrito de uma comunidade qualquer não pareça ser um lugar onde o que se diz vá despertar atenção geral. Como eu disse, são milhões de perfis e milhões de pequenos grupos.
7) Quanto desses relatos são verdadeiros? Pais e autoridades devem se preocupar com confissões feitas no Orkut ou a maior parte é apenas falácia?
Quem ainda se lembra da própria adolescência sabe a quantidade de estória que se inventa pelos motivos mais estranhos e irracionais. Fazer grandes alaridos disto só se explica por sensacionalismo. Teve um momento em que as autoridades pareciam mais interessadas em pendurar uma melancia no pescoço do que em tratar com seriedade os crimes de sua alçada. Culpavam a comunidade que tinha a afirmação de dirigirem bêbados por um desastre provocado por um jovem motorista bêbado. O que se escreve em blog ou em interface de rede social está muito mais próximo da literatura, e se eu crio uma comunidade intitulada "eu atropelo velhinhas" só um débil mental julgaria que o grupo é de assassinos de senhoras idosas. Não é uma escrita noticiosa, mas algo um tanto literário e fantasioso que procura dar contas dos diferentes afetos que atravessam os jovens.
8) O Orkut é muitas vezes acusado de não colaborar com a Justiça e de permitir a veiculação de informações que promovem e incentivam a pornografia, o crime e o abuso de drogas. Acredita que a tecnologia deveria ser adaptada - e de que forma - para conter a superexposição - exigindo por exemplo uma confirmação de que se é maior de 18 anos para entrar em determinadas comunidades ou criando "flags" para os conteúdos?
Eu fico me perguntando o quanto essa opinião pode ser levada a sério. Ou melhor, a`mídia de massa espernearia se tentassem lhe imputar essa imagem, embora sua programação seja muito mais promotora de crime, drogas e pornografia; mas como o Orkut esta roubando o público das TVs, esses mesmos canais ficam cinicamente tentando eliminar a concorrência excitando os oficiais de justiça e os formadores de opinião. E porque não bloquear a entrada da imagem nos canais de TV e só permiti-la depois que aquele que esta assistindo preencher um longo formulário em três vias?
9) Recentemente uma brasileira chamada Ana Ferreira vendeu uma foto em que aparecia sendo abraçada de modo nem tão inocente pelo príncipe William. No Orkut, a estudante chegou a mencionar as vantagens obtidas com a venda da foto. Depois, arrependida, retirou o perfil do ar. Esse tipo de conduta é comum? O que revela sobre os usos da tecnologia das redes sociais?
Ela conversava com a turma dela. Quando a mídia de massa lançou sua luz sobre isso ela ficou exposta e o que ela mostrava e dizia passou a ser julgado preconceituosamente. Ela apagou o perfil. Daqui a pouco pode voltar com outro e todo mundo já esqueceu o episódio. Fico me perguntando que garota não contaria para as amigas que um príncipe pusera a mão em seus seios. Tem gente que "mataria" para ter um assunto destes para contar para as amigas. Com foto melhor ainda. É a prova de que foi verdade. Material manipulado por príncipe ganha um alto valor no mercado do status e da inveja.
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Antoun
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Marcadores: cibercultura, comunidadevirtual, conhecimento, controle, governabilidade, infowar, mediação, mobilidade, multidão, redesocial
13.3.07
Sobre Solidad Sugarbeet
Googlei a ativista da SLLA e acho q a imprensa não esta se comportando bem com a moça. Falam de terrorismo e ativismo mas moitam que ela é uma artista. Ela é música e se apresentou no SL na Ilha de Genesis (247,39) na quarta 10 de janeiro deste ano. Quem quiser pode olhar tb o perfil e ouvir as músicas dela no MySpace. O site da sua banda Solidadrocks tb pode ser visitado. Tem até umas performances dela no Yourtube!
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antoun
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12.3.07
Exército pela Libertação do Second Life
Quem me chamou a atenção para essa revolta foi a jornalista Juliana da Rocha q tá trabalhando com o Marcelo Nóbrega no JB. É ela quem assina a matéria Terroristas invadem o 'Second Life' na seção Ciência e Tecnologia do JB de domingo. O fato é q vale tudo nas táticas do SLLA: encontros, passeatas e ataques com bombas e armas virtuais. Embora a Lindem não tenha retaliado até o momento, sua reação é uma das incógnitas deste confronto.
Seja como for nada será como antes neste admirável mundo virtual. A avatar Solidad Sugarbeet, uma das ativistas do movimento do SLLA avisa: embora no momento reivindiquem apenas o direito de voto para os avatares e o fim da invasão corporativa no SL; pensam em discutir livre acesso à terra, exploração dos trabalhadores e ativa oposição ao fascismo como futuros objetivos.
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antoun
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31.7.05
o problema da governabilidade democrática na cibercultura
O projeto de Estágio Pós-Doutoral — Mobilidade e Mediação: O problema da governabilidade democrática na cibercultura — visa estimar o futuro da governabilidade democrática na sociedade, considerando as transformações introduzidas pelos dispositivos móveis de comunicação no funcionamento das redes interativas de comunicação distribuída. A problemática relação entre a mediação e a mobilidade nas redes interativas de comunicação distribuída faz das comunidades virtuais e das redes de parceria os principais agentes dos problemas de governabilidade para o Estado pós-moderno. Trata-se de uma pesquisa teórica, que analisa os conceitos de comunidade virtual, rede de parceria (P2P) e mediação, considerando tanto suas histórias, quanto suas fontes disciplinares. Sua hipótese básica é a de que a oposição entre a informação e a comunicação nas redes interativas de comunicação distribuída reflete o conflito entre o trabalho imaterial comunicacional e a propriedade privada da informação. As interfaces de comunicação exprimem esse conflito através da relação entre os diferentes modelos de construção de seus códigos e as diferentes práticas de valoração e qualificação social. Desse modo, a pesquisa teórica, que aponta o que deve ser observado, vai ser complementada pelo exame das estratégias comunicacionais implementadas nas interfaces. Este exame nos permitiria apresentar a hipótese do ciberespaço como um meio de multidão, contrapondo-se à imprensa como meio popular e ao rádio e à televisão como meio de massa. O estágio ganhou uma bolsa da CAPES e esta sendo desenvolvido no Programa McLuhan em Cultura e Tecnologia da Universidade de Toronto, sob a supervisão do Professor Derrick de Kerckhove.
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antoun
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